MdM Entrevista: JEFFERSON FERREIRA (Barnum – O Rei do Show)

Pra celebrar o início desse novo quadro no site, o Mundo dos Musicais Entrevista bateu um papo com Jefferson Ferreira, que está em cartaz com o espetáculo “Barnum – O Rei do Show”, no Teatro Opus (SP), encerrando sua temporada de grande sucesso amanhã (28). Jefferson enfrenta o desafio de desempenhar a função de ‘swing’, cobrindo todos os atores e atrizes do ensemble, ao todo 18 artistas, e agora se prepara para retomar a vida em alto mar em 2022, como o primeiro Dance Captain brasileiro na Royal Caribbean, onde navegará entre o Canadá e o Alasca comandando as grandes apresentações à bordo.

Atualmente, você está em cartaz com “Barnum – O Rei do Show” que encerra sua temporada esse final de semana. Como foi poder retornar aos palcos depois de mais de um ano com os teatros fechados devido a pandemia da Covid-19?

Foi absolutamente inesquecível. O mundo em geral passou por transformações e reflexões que nós jamais achávamos que iríamos encarar um dia, mas os artistas especificamente tiveram um dos maiores desafios nessa pandemia, pois tudo que se julgou “não essencial” teve que ficar de lado. Com isso, foi inevitável a ansiedade e o receio de não conseguir mais estar de volta onde a gente mais desejava. Então, a retomada representou também um recomeço para todos nós e, ao mesmo tempo, uma gana de se encontrar novamente fazendo o que a gente ama.

E em “Barnum” você desempenhava a função de swing que, simplesmente, é responsável por cobrir todos os personagens (no caso, um total de 18) do ensemble caso algum ator tenha que faltar. Como fazer pra aprender todas as marcas/falas/canções de cada um?

Pra esse projeto especificamente, tive que estudar muito. Me dedicar principalmente na época dos ensaios. Estar literalmente ao lado e observando todas as ideias do nosso querido coreógrafo Alonso Barros pra entender exatamente como seria a disposição dos números musicais e de cada ator e atriz na história. Tive uma ajuda fundamental de todos ao meu redor e me familiarizei com o App do incrível Jeff Whiting, chamado Stage Write – onde pude criar um fluxograma completo de todas as marcas e cenas do espetáculo para que eu pudesse acompanhar mais detalhadamente o que cada personagem faria.

Foto: Caio Galucci

Quando você fica sabendo que vai entrar em cena? É sempre no susto?

Agora no final da temporada, posso dizer que tive até poucos momentos de susto, onde precisei substituir alguém em cima da hora. Tivemos uma comunicação imprescindível (principalmente com a nossa diretora residente Vanessa Costa) para conseguir ao menos focar no trajeto do artista que eu iria substituir por conta de alguma indisposição ou por ser cover de alguma personagem. Nada disso excluiu o fato de ser sempre um desafio, principalmente quando é o único swing de um espetáculo tão grandioso e complexo como Barnum.

Durante a temporada, aconteceu alguma história engraçada sua nos bastidores? Conta pra gente!

Várias. O swing sempre é alvo de histórias inusitadas. Seja nas correrias que a gente dá, seja no entrelace de personagens que deixa a gente louco. Mas uma história em específico foi quando tivemos que fazer um ensaio só de covers e eu precisei cobrir um monte de gente. Eu corria de um lado para o outro na coxia e ficava desnorteado em vários momentos. Todos começaram a rir e eu gritava que eu estava sem personalidade nenhuma pois precisava contracenar como personagens diferentes sem nenhum fôlego por conta da agitação (rs). Sem contar também nos ensaios acrobáticos de circo ainda nos estúdios onde aconteceram todos os tombos possíveis! Foi um processo divertido demais.

Nós também já podemos te assistir em outros grandes musicais como “Alô, Dolly”, “Crazy For You” e “We Will Rock You” e ao lado de nomes de peso, como Marília Pêra e Claudia Raia. Teve algum te marcou mais de alguma forma?

Pode ser que seja clichê, mas todos me marcaram de forma única e juntos foram essenciais pra minha formação artística. O “Alô, Dolly!” me deu um desafio imenso de me focar como bailarino pelo seu alto nível técnico, além de me fazer aprender muito ao observar (todos os dias) o brilho de Marília Pêra e Miguel Falabella juntos em cena; o “Crazy for You” foi um musical super grandioso, com uma temporada e turnês incríveis e que me deu a super oportunidade de ser Swing pela primeira vez e sapatear em um musical , além claro de poder estar ao lado de grandes nomes do teatro musical, como Claudia Raia, Jarbas e o nosso inesquecível Tumura; e o “We Will Rock You” me desafiou como artista completo com um repertório intenso de músicas do Queen, coreografias energéticas e uma personagem que me permitiu aprender muito com artistas muito especiais. Mas se tiver mesmo que escolher um pra destacar, o primeiro sempre terá um lugar especial no coração – “Alô, Dolly!” foi um marco na minha vida.

Jefferson Ferreira em cena nos musicais Crazy For You, Alô Dolly e We Will Rock You, respectivamente | Créditos: Caio Galucci, Carla de Conti e Catharina Figueiredo.

E depois de “Barnum”, você está zarpando rumo a outros mares, literalmente. Vai atuar como Dance Captain da Royal Caribbean e não vai ser sua primeira vez em espetáculos em navios cruzeiros. Tem alguma diferença entre estar em cartaz em alto mar ou no continente?

Sim, com certeza. Eu costumo dizer que a vida a bordo é maravilhosa, mas não é para todos. Existem especificações e um lifestyle totalmente diferente dentro de um cruzeiro. E trabalhar numa companhia de entretenimento internacional também te atinge em um outro nível. Além de claro, o maior desafio, conviver com pessoas de culturas e com idiomas totalmente diferentes e, nesse caso, ter o privilégio de liderar um time super talentoso de cantores e bailarinos em shows americanos de alta performance .

Mas antes de conseguir viver de arte, no início da sua jornada você pôde contar com o apoio da família pra seguir com o sonho de ser artista?

Minha família nunca se opôs ao fato de eu querer ser artista, a preocupação sempre foi de eu conseguir vencer na vida da melhor forma possível, principalmente por vir de uma base bem simples e humilde. Como a arte entrou tarde na minha vida, eu já tinha uma maturidade e determinação de focar no que eu realmente queria. Portanto, tudo foi muito rápido. As coisas foram acontecendo e eu fui abraçando da melhor forma possível. Quando a dança apareceu pra mim, eu já tinha tudo “estruturado”, faculdades iniciadas e uma vida de certa forma planejada. Foi aí que tudo mudou e eu fiz minhas escolhas pra estar onde eu estou hoje. Acho que foi essa segurança que eu transmitia que fez minha família não ficar preocupada com o que aconteceria no futuro.

E agora um artista premiado, você tem um carinho muito especial em transmitir seu talento para outros prodígios do mercado. Qual a importância pra você em estar no meio acadêmico das artes, principalmente em tempos tão difíceis para o setor como o que vivemos atualmente?

Eu sou completamente apaixonado pelo o que eu faço no meio acadêmico. Ver olhinhos de crianças brilharem ou aquela dúvida que surge em jovens bailarinos e bailarinas de seguir em frente me instigam muito a trabalhar e dar o meu melhor para servir como espelho pra alguém. Toda a dedicação (e pouca facilidade na dança) que eu tinha no início da minha carreira me fazem contar essa história para os alunos de que, com foco e força de vontade, eles podem conseguir atingir seus objetivos da melhor forma possível. O mundo das artes já é cruel por si só, por isso eu prefiro levar tudo com leveza e amor, sem tirar a seriedade e determinação exigidas pra se atingir o sucesso.

Se pudesse dar um conselho pro Jefferson de 14 anos, tendo seus primeiros contatos com as artes, o que você diria?

Além de gritar “estica o pé” toda vez que passasse por ele (rs), eu diria pra ele nunca perder a essência de ser um ser do bem e de fazer o bem a todos. E que muitas vezes isso não iria retornar como esperado, mas que ele insistisse ao máximo porque, de alguma forma, no final o bem sempre sobressai e o carisma é capaz de conquistar tudo ao redor, aliado sempre aos estudos e dedicação.

E um conselho para o Jefferson de hoje?

Saber conviver com as inseguranças, mas nunca deixar de ser inseguro. O mundo mudou, nada mais será 100% certo de qualquer forma, então precisamos aprender a lidar com os monstrinhos que existem ao redor e dentro da gente para que consigamos viver e fazer tudo o que a gente deseja.

E lembrando que Barnum – O Rei do Show encerra sua temporada amanhã, dia 28, no Teatro Opus – Shopping Villa Lobos.

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